That´s a bingo!

back in black

Cultura Self Service

Quantos filmes você viu em 2009? Trinta? Quarenta? Mais de cem? Quantos quer ver que foram lançados no ano passado e não viu ainda porque não teve tempo?

Qual o último álbum completo que você ouviu? Mas ouviu mesmo, não ouviu enquanto fazia alguma coisa no computador ou limpava a casa ou terminava outro trabalho qualquer?

Quantas séries de TV você acompanha? Quais não acompanha por falta de tempo?

Quantos livros estão na sua pilha para ler? Quantos você comprou, mal os abriu e agora estão esquecidos na estante?

Nos dias de internet, a cultura está mais a nossa disposição do que jamais esteve. Não apenas por causa da pirataria, mas se você quiser e tiver como pagar por tudo que consome, lojas online nacionais e internacionais é o que não faltam. É quase impossível achar um disco do Flaming Lips pré The Soft Bulletin ou álbuns do R.E.M. dos anos 80 nas lojas de shoppings, mas na internet é só uma questão de paciência para esperar a encomenda chegar ou para o download terminar.

O que esse excesso de cultura criou em mim foi um misto de tensão e apatia. Tensão porque eu quero ter tempo para escutar, ver e ler o máximo de coisas que eu puder. Apatia porque sinceramente não tenho mais aquela expectativa que tinha há alguns anos atrás por algum lançamento, mesmo de bandas e artistas que eu gosto. Há tantas opções que a chegada do Homem de Ferro 2 nos cinemas me faz apenas pensar que quando o torrent sair eu vou baixar, mas não me sinto necessariamente compelido a ir ao cinema. Se amigos, conhecidos, familiares disserem “vamos ver Homem de Ferro 2 no cinema”, eu vou, mas só nesse caso. Há tantos outros filmes que eu posso ver nesse meio tempo (recentemente: filmes do Jackie Chan feitos em Hong Kong) que eu até me esqueço do filme mais badalado do momento. Vou ler os comentários, críticas, mas não vou ficar empolgado para ir. E sim, eventualmente vou baixá-lo.

Com discos a coisa ficou ainda mais fácil. Não sou o único com um HD lotado de músicas, mas ainda assim há uma imensidão de artistas que ainda não ouvi e que tenho curiosidade. E download álbuns de música é droga pesada tipo Elma Chips, impossível baixar um só, então o HD fica lotado de música que você talvez eu vá levar um mês para ouvir, se não ficar esquecido numa pasta fazendo poeira digital.

Pra piorar todo mês alguém me dá uma dica de série de TV que é a minha cara, que eu vou adorar e que eu tenho que ver. Mas já estou no meio de outra série interessante, faltam só 10 episódios, mas assim que acabar essa… outra série que não aquela que me indicaram passa a ser a série da moda. Isso sem falar de livros e quadrinhos por todo o lado.

Sinceramente, acho que foi toda essa facilidade de conseguir as coisas que me fez mais ‘frio’ às novidades. Ainda me divirto, mas as chances de algo realmente me empolgar estão cada vez mais baixas. Culpa dessa Zona Autônoma Temporária (favor ir ler o livro do Hakim Bey se você não sabe o que é isso) chamada internet. Mas agora o estrago está feito e o melhor é aproveitar antes que todo mundo ache que a China está com a razão e comecem a bloquear sites não apropriados.

Emule

Soulseek

BitTorrent

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maio 6, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , | Deixe um comentário

Coisas que…

Eu odeio – Coletâneas

Quando alguém quer conhecer uma banda, indique músicas, clipes, mas, por favor, não indique coletâneas com os maiores hits da mesma. É falta de educação.

Desde já eu digo que o único tipo de coletânea que me interessa é a que tem os lados Bs dos singles como a Complete B Sides dos Pixies ou a The Masterplan do Oasis. Mas coletâneas em geral são como disse um cara do The Kids in the Hall: para donas de casa e menininhas (por volta de 1:13, mas todo o vídeo é ótimo).

O pior é ouvir as justificativas que me dão quando eu digo que é pecado ouvir coletâneas que você mesmo não fez. Elas variam do “é o que a banda tem de melhor” até o assustador “não tenho tempo para ouvir um disco e correr o risco de ouvir música ruim”. Sério, esse pessoal existe, eles estão lá fora.

Eu não vou ser escroto aqui e dizer que as melhores músicas de um álbum são as que não fizeram sucesso, até porque isso não é verdade. Mas ali naquela faixa 12 esquecida pelo resto da humanidade pode ter uma música decente e até mesmo uma que você não sabe como não é mais apreciada. Dê uma chance à faixa 12 esquecida.

Quanto ao “não tenho tempo…”, só pensa aí em quantos filmes ruins você viu que tinham uma hora e meia ou mais e ainda assim você ficou até o final? A maioria dos discos não passa de uma hora e os álbuns mais antigos (até por uma questão de espaço do LP) não iam além de 45 minutos. É, eu sei, a gente quer sempre saber como uma história termina. Mas tempo não é desculpa e não correr risco de ouvir música ruim é uma desculpa mais fraca ainda.

Coletânea é igual currículo, a gente nunca coloca os podres. Não tenho nada contra coletâneas pessoais, diga-se de passagem, só contra querer se aprofundar na obra de um artista através de uma coletânea ao invés de um álbum.

Me irritam – Vídeos de torcidas

Você, gênio que gosta de filmar torcida em estádio, por favor, só filme a partir de agora quando sua torcida fizer algo de interessante. Esse lance de filmar só pessoal cantando e tal, toda torcida tem como os três vídeos a seguir provam.

Em suma, tudo igual. Muda a cor e os cantos que ninguém entende, mas é só. Só coloca quando a torcida do seu time fizer algo diferente tipo esse mosaico aqui:

Você filma e posta.

Mas até lá, fique com esse torcedor do Internacional que foi penalizado por fazer esses vídeos bobos iguais aos de todo mundo.

Eu não entendo – Hitler morreu, mas conquistou as bancas

numa banca perto de você

Numa banca perto de você

Todo início de mês eu vou às bancas para comprar três ou quatro revistas. Depois de tê-las localizado e ter certeza de que não esqueci o dinheiro em casa, fico olhando outros lançamentos para ver se alguma coisa mais me interessa e também para saber o que as editoras acham que o público quer ler (ou ver no caso das revistas pornôs).

Minha conclusão: nesses últimos dois anos o povo quer Hitler. Ou nazismo (exceto nos pornôs, noivinhas safadas ainda são as favoritas).

Não tenho nenhuma anotação que comprove isso, mas acho que todas as revistas sobre história, filosofia ou de variedades falou sobre o Hitler e o nazismo em algum momento. E imagino que não seja o primeiro a comentar sobre esse fenômeno editorial chamado Hitler. Todo mês tem uma foto do bigode e alguma chamada bizarra. Não foi raro ler inclusive chamadas contraditórias entre publicações.

“Hitler: o estrategista” e “Os erros de Hitler” estiveram nas bancas nos últimos anos. Também “A veia artística de Hitler”, “Hitler, o pedinte”, “Hitler e contatos alienígenas”, “Hitler na cozinha”. Ok, nem todos são verdadeiros, mas o que importa é: que merda é essa? Será que a história não tem outros fatos interessantes e mais relevantes do que ficar falando de cada dia que Hitler viveu na Terra? Será que é só isso que vende em milênios e milênios de história que temos atrás de nós? Cadê os egípcios e os dinossauros, porra?

A pergunta que não quer calar

Não está longe o dia que o maldito vai estar na capa de uma revista pornô. Mas já existe o Nazi Exploitation.

blog de família

Me irritam – Vídeos de torcidas

Desculpe você fanático pelo seu time, mas torcidas nos estádios são todas iguais no Brasil. Antes que venham defender seus times, aqui estão três:

Em suma, tudo igual. Muda a cor e os cantos, mas é só. Quando a torcida do seu time fizer isso aqui:

Procurar vídeo de mosaico.

Aí eu posso dizer que sua torcida é diferente. Mas até lá, fique com esse torcedor do Internacional que foi penalizado por fazer esses vídeos bobos.

maio 4, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , , | Deixe um comentário

Lindomar – O Sub Zero brasileiro

Numa época em que todos falam de Paulo Pikachu e seu sucesso no concurso Colírios, vamos relembrar o maior meme brasileiro: Lindomar, o Sub Zero brasileiro.

A história é simples e pode ser vista no vídeo abaixo:

Bastou a fama dele cair na Internet que as pessoas começaram a criar suas versões para a perfeita voadora de Lindomar:

Tudo isso serve para dizer duas coisas: brasileiro é um bicho criativo e, ao mesmo tempo, sem muito o que fazer na vida. E eu e Guilherme também somos bobos, porque nos divertimos muito com isso.

maio 3, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Japão, o país mais louco do planeta

Se você pensa no Japão como um país zen ou a terra dos Pokemons ou de gente com fetiches estranhos relacionados a tentáculos, você não está errado. Mas favor acrescentar mais um produto de exportação japonesa: game shows.

Quiet Library

Se há algo mais absurdo no mundo dos game shows do que Quiet Library, favor me mande um link com o vídeo. Quiet Library são seis caras que sorteiam a partir de cartas quem vai pagar uma punição. Quem vira a carta com a caveira se fodeu. Mas se fodeu mesmo. A punição mais leve deve ser a primeira em que os caras arrancam cabelo do nariz do negro. Daí para os absurdos comuns de japoneses como uma máquina de dar tapas e o beijo de um velho no pescoço é só um passo.

Crazy Treadmill

Corra como um louco, coma quatro biscoitos e chegue ao final da esteira em 30 segundos. Ah, sim, a velocidade da esteira vai aumentando sem dó e as chances de você não conseguir nem chegar perto do último biscoito são altíssimas. O participante que não fracassar ganha um banho de piscina e ainda tem que ser zoado pelos apresentadores. Em game show japonês ser fracasso é sinônimo de ser humilhado e não de ganhar prêmio de consolação.

Rope Swing

Além do povo que vai de terno, vestido e fantasiado participar da brincadeira, o legal aqui é o povo gritando principalmente quando um competidor se encontra sem muitas opções de continuar. No final um C3PO tenta a sorte com direito a trilha do Star Wars.

Binocular Soccer

São dois minutos e pouco de pura adrenalina, povo chutando o ar quando não chutam outro cara e um juiz que não sei se é um coelho ou um burro, ainda não decidi. Melhor que muito jogo dos campeonatos estaduais no Brasil afora.

Human Tetris

O jogo que o Faustão imitou na versão original. Já no primeiro muro que vem dá pra entender porque a versão japonesa é mais bizarra. E quando vem com a mensagem Merry Christmas e o formato de uma árvore de Natal não tem como não gostar dessa merda. O melhor são as expressões what the fuck que os caras ficam quando veem o formato que eles tem que passar e o fato de que ninguém reclama da impossibilidade de se passar do muro (até onde meu japonês permite entender).

Cabo de guerra com meia calça

São só um minuto e vinte de vídeo, mas raramente você vai ver algo mais intenso e explosivo do que isso. Queria saber se eles testam meia calça assim no Inmetro.

A porta da sacanagem

Foi assim que ficou conhecida essa brincadeira no Faustão quando existia as Olimpíadas do Faustão patrocinada pela Bamerindus. Essa é uma brincadeira sem erro porque é engraçado quando o sujeito empolgado sai correndo e bate na porta com tudo e não consegue passar, também quando o monstro chega perto, quando fica preso na rede… perfeito.

Door Slide Battle

Nada mais simples do que fechar uma porta? No Door Slide Battle não fechar a porta deslizante direito pode custar caro. Muito caro. Só de ver o rosto de psicopata da mulher com bafo me deixa nervoso. Agora o porque do pessoal ter que estar vestido de insetos é por sua conta. ONEGAI SHIMASU!

Porrada no saco

Eu posso ter me enganado ao dizer que o Quiet Library é o mais absurdo game show. Na verdade é porque eu nem sei se isso aí é um game show mesmo, é mais pessoal levando porrada no saco. Como disse um dos comentaristas do vídeo, o Japão não tem direitos humanos.

abril 20, 2010 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Análise – Feitiço do Tempo

1 – Se você nunca viu Feitiço do Tempo (Groundhog Day, 1993) só sinto pena. Faça um favor a si mesmo e vá ver.

2 – Contém spoilers.

A princípio Feitiço do Tempo pode parecer uma mera comédia romântica. Em um nível mais profundo é um filme que fala sobre a vida, Deus, como nossa relação com os outros tem haver com a maneira como vemos o mundo e karma.

Phil Connors (Bill Murray) subitamente se encontra sem um amanhã. O dia 2 de fevereiro se repete várias e várias vezes, não importa o que ele faça, sem qualquer explicação. Ele se desespera, não consegue acreditar que está preso em algum tipo de fissura temporal e procura um modo de quebrar o ciclo que se repete. Está completamente ilhado já que não pode sair de Punxsutawney porque as estradas estão bloqueadas pela neve, então sua área de ação se limita à cidade. Ajuda externa também é impossível e ninguém mais além dele parece notar que o dia está se repetindo.

Com o tempo, Phil consegue visualizar as vantagens de se repetir um dia. Não há punição. Ou se ela existe é apenas até o dia seguinte. Ele vai para a prisão, rouba um carro forte, dorme com diversas mulheres na cidade, dirige bêbado. E sempre acorda na cama de hotel independente do que fizer, sem ter que realmente enfrentar as consequências dos próprios atos. Phil experimenta uma liberdade negada a todos nós que fluímos junto com o tempo: ele vai recomeçar do zero e sem envelhecer um dia sequer. Impossível não se sentir um deus como ele mesmo menciona para Rita (Andie MacDowell).

Nem tudo são rosas. Aos poucos, Phil descobre que não tem controle sobre tudo. Primeiro ele não consegue realmente se conectar com Rita. Ele sabe tudo sobre ela nos mínimos detalhes: drink favorito, brinde preferido, sabor de sorvete que ela mais gosta, poetas que admira. Mas algo sempre deixa Rita com o pé atrás e por mais que Phil refine ainda mais seus conhecimentos sobre ela, no final ele sempre recebe um tapa depois de tentar algo mais ousado.

O que falta a Phil é deixar de enxergar os outros como meros fantoches ou seres que estão ali apenas para servi-lo. O fato de ficar repetindo os dias tirou ainda mais Phil a noção de humanidade. Ver as pessoas reagindo da mesma maneira e sabendo todos os seus segredos, não é difícil para Phil saber como manipulá-las e fazer daquela comunidade o seu playground pessoal. Rita é a esfinge, um dos dois pontos do filme que Phil não consegue resolver.

O fracasso na conquista de Rita leva Phil a se suicidar várias vezes (joga o carro do precipício, pula de um prédio, joga uma torradeira ligada na banheira) com o resultado sendo sempre o mesmo: acordar no quarto de hotel ao som de I Got You Babe de Sonny and Cher. É então que ele busca socorro naquela que o levou ao desespero inicialmente. Só se abrindo com Rita, que leva algum tempo a acreditar no problema dele, Phil passa a entender que relações humanas são vias de mão dupla. E que se você estiver em paz consigo mesmo, essas conexões se tornam naturais, mais simples e mais prazerosas. Se Phil já tentou as coisas pelo caminho mais cínico e não ficou satisfeito, por que não tentar a via mais otimista para tentar quebrar esse ciclo de repetições? Essa na verdade é uma ideia muito semelhante a da libertação do karma e da samsara, o ciclo de renascimentos do qual o indivíduo tenta escapar. Uma ideia budista e que exemplifica bem o quão espiritual esse filme pode ser. A vertente budista é mais óbvia, mas judeus, católicos e outras religiões podem encontrar suas filosofias no filme porque a essência de (quase) toda religião é aquilo que Phil começa a tentar fazer depois da conversa com Rita: se tornar um ser humano melhor para si mesmo e para os outros.

Mas ninguém consegue ser bom de estômago vazio

Ele passa a ver sua maldição como uma oportunidade, mas não no sentido de levar vantagem sobre os outros, mas para se aperfeiçoar. Ele vai aprender francês, piano, fazer esculturas no gelo e mais, vai aprender a como ajudar as pessoas ao invés de usá-las em seu proveito. Phil aprende a amar o próximo (um conceito cristão) e aprende a ser menos egoísta.

Aqui acontece outro momento chave do filme. Toda a filosofia que Phil passa a tentar a aplicar à sua vida é desafiada pela situação de um mendigo que ele encontra. O sujeito está a beira da morte e tudo que Phil faz para salvá-lo é em vão. No final do dia, ele morre. A frustração de Phil é enorme ao ponto de ele dizer que naquele dia ninguém deveria morrer. Esse é um ponto que fica sem solução para ele e um desafio à sua nova filosofia. O que esse momento significa para mim é que ser uma boa pessoa não significa que só coisas boas vão acontecer. Phil ainda tenta por dias salvar o mendigo, mas certas coisas estão além de nossas capacidades. Se Phil pensava ser um deus, nesse momento essa ideia se desfaz diante da impotência dele diante da situação. O fracasso e a tristeza também fazem parte do nosso crescimento interior.

Obstáculos no caminho não desviam Phil para o mau caminho. Então ele coloca em ação seus planos. É cordial com os colegas de trabalho, faz um belo discurso sobre o que significa a comunidade estar junta para o dia da marmota. Rita o chama para irem a algum lugar, a última tentação. Mas Phil está comprometido o plano e vai ajudar as pessoas. Salva um garoto que cai da árvore (apesar de ele nunca agradecer), ajuda velhinhas a trocar o pneu, salva uma pessoa que engasgou no restaurante, compra um pacote de seguros completo entre outras coisas. Phil encontra sua paz interior e consegue se relacionar com os outros quase sem egoísmo. Eu digo ‘quase’ porque não acredito que façamos algo sem esperar algo em troca. Mesmo que seja simplesmente um agradecimento ou uma boa sensação de dever cumprido. Phil fez tudo isso para crescer e quebrar o ciclo ou apenas para ficar com Rita no final? Isso é discussão para posts mais longos do que esse, mas eu gosto de acreditar que ele quis crescer e quebrar o ciclo e que se Rita viesse no meio do pacote não ia ser um mau negócio. Mas isso pode ser meu lado mais ingênuo falando.

Eu poderia aqui ter falado de como este é o melhor papel de Bill Murray, como a limitada Andie MacDowell faz uma boa atuação, recursos narrativos, etc. Mas Feitiço do Tempo é especial porque ele transmite uma mensagem batida de uma forma criativa: nos diz que há caminhos melhores para se trilhar do que o do cinismo e o da raiva. Já é um grande feito para um filme.

I Got You Babe

abril 19, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Manual de instruções – The Velvet Underground

The Velvet Underground (membros mais importantes)

Lou Reed

John Cale

Doug Yule

Sterling Morrison

Maureen Tucker

O Velvet Underground foi um fracasso. A banda não era muito conhecida e seus discos passaram despercebidos na época em que foram lançados. Ainda assim, o rock experimental, o noise rock e o dream pop são alguns dos gêneros que devem sua existência ao VU. Como uma banda que não vendia (algo muito importante em um planeta sem mp3) conseguiu influenciar tanto o rock? Brian Eno cunhou uma frase que talvez explique: “O primeiro disco do Velvet Underground vendeu 10 mil cópias, mas todo mundo que comprou, formou uma banda”.

Para alguém que só ouviu falar da banda, talvez o fato mais conhecido seja que ela foi, no início, impulsionada pelo multi artista Andy Warhol. A parceria durou apenas o primeiro disco, cujas baixas vendas criaram uma tensão entre Lou Reed (principal vocalista e letrista da banda) e Warhol.

Iniciação

Muita gente diria que o melhor meio de introduzir alguém ao mundo do VU seria o primeiro álbum, mas um melhor caminho seja pelos dois discos menos experimentais da banda. The Velvet Underground (1969) e Loaded (1970) marcaram a saída de John Cale (responsável pela verte experimental) e a entrada do guitarrista Doug Yule, além de um som bem mais pop. Loaded inclusive tem esse nome porque a gravadora queria que a banda gravasse um álbum “loaded with hits” ou cheio de sucessos. Algumas das melhores faixas desses discos são a What Goes On, Some Kinda Love, Pale Blue Eyes e After Hours de The Velvet Underground e Who Loves the Sun, Sweet Jane, Rock and Roll e Oh! Sweet Nuthin’ de Loaded.

Intermediário

Prepare-se para o máximo de experimentalismo que uma banda de rock conseguiu alcançar no final dos anos 60. Temas transexuais, prostituição, abuso de drogas, sadomasoquismo foram explorados em letras de rock por Lou Reed pela primeira vez, embora esses temas fossem comuns em obras literárias. O que Reed fez e considerou ‘óbvio’ foi juntar esses temas com música. Nasce The Velvet Underground and Nico (1967) único com a vocalista alemã e também o único com o aval de Andy Warhol. Não bastasse isso, O VU ainda dá as bases do rock experimental e do noise rock com Heroin, The Black Angel’s Death Song e European Son. O dream pop também foi praticamente criado com Sunday Morning, acrescentada depois, tanto que é a faixa que mais destoa do resto do álbum.

O disco seguinte e último de John Cale na banda, White Light/White Heat (1968) avança ainda mais nas experimentações e nos temas de perversão e drogas com a faixa título e Lady Godiva’s Operation e também com a narração de uma história trágica em The Gift. O ponto alto desse disco são os 17 minutos de Sister Ray, uma faixa que ao vivo podia durar mais de meia hora com várias improvisações.

Estudos avançados

Há bons registros após o (primeiro) fim da banda em 1973 como VU, lançado em 1985, uma compilação de gravações que a banda gravou no final dos anos 60 e o disco ao vivo 1969: The Velvet Underground Live de 1974. Quanto a videos é possível encontrar o Live MCMXCIII e o Andy Warhol’s The Velvet Underground and Nico. O primeiro é um registro ao vivo de 1993 quando a banda se reuniu brevemente antes que Lou Reed e John Cale preferissem seus projetos solo e a banda terminasse definitivamente. O filme de Andy Warhol é um ensaio da banda, uma longa jam session com Nico e uma criança fodida (ela até tenta dar a mão a Lou Reed que não toma conhecimento da presença do pirralho). Termina com a chegada da polícia que recebeu reclamações do barulho. Dura uma hora e o interessante é só a jam mesmo (Andy Warhol faz o possível pra fazer a filmagem mais imbecil o possível de acompanhar).

Outro registro ao vivo é Live at Max’s Kansas City. Talvez seja interessante pelas conversas entre as músicas, falas de Lou Reed e o escritor Jim Carroll (The Basketball Diaries) pedindo bebidas e perguntando sobre drogas. Também é mal gravado, mas passa. Talvez o grande problema seja não ter nenhuma música que já não tenha nos discos.

Há a The Quine Tapes, a primeira e única até o momento de um projeto de uma série de gravações de shows do VU feitas por fãs, gravada pelo guitarrista Robert Quine é mais para viciados na banda mesmo. A qualidade é ruim, a pior dos discos ao vivo, embora seja compreensível por ser gravação de fã.

Squeeze (1973) é o álbum mais odiado do VU por razões compreensíveis. Doug Yule fez o álbum praticamente sozinho e sem Lou Reed que havia saído da banda para tocar a carreira solo e nem Sterling Morrison ou Maureen Tucker, o disco só usa realmente o nome The Velvet Underground, mas não soa como The Velvet Underground. É um disco fraco com uma capa ridícula, mas não tão ruim quanto os fãs da banda dizem.

Agora pode ir lá contar vantagem que você sabe alguma coisa sobre o Velvet Underground.


abril 16, 2010 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Flaming Lips e seus covers

Todo mundo sabe que Wayne Coyne e seus Flaming Lips são gênios. É uma das melhores bandas da atualidade, lançou um dos discos mais incríveis de todos os tempos, The Soft Bulletin.

Além disso, são orginais, fazem shows maravilhosos (quem perdeu o de 2005, no Claro Que é Rock, reze três Aves Marias agora e peça perdão a Wayne).

Eles são tão orginais que brincam de fazer covers, além de se vestirem como coelhinhos e chamar o público para ficar fantasiado e pulando no palco.

O melhor exemplo é Seven Nation Army, do White Stripes. A banda de Jack e Meg White tiveram que cancelar uma apresentação num festival aí (estou com preguiça de procurar qual). Aí chamaram os Flaming Lips para cantar no lugar dele. Para deixar o público satisfeito, eles fizeram uma versão criticando o então presidente americano George W. Bush e toda a cúpula do governo.

Depois, vem Bohemian Rhapsody. No show em SP, antes desta música, Wayne disse que, naquele momento, São Paulo seria o maior karaokê do mundo. Então o telão do palco ia mostrando as letras para todo mundo cantar junto. Foda.

Em terceiro lugar, mostrando todo o bom humor da banda, a versão deles de Can’t Get You Out Of My Head, da Kylie Minogue.

Em quarto, talvez a mais inesperada, War Pigs, do Black Sabbath.
Tinha uma versão melhor no YouTube, mas essa tem a Cat Power, e nesse blog a gente gosta de mulher bonita. Além do mais, aqui o Wayne joga um liquido vermelho na testa e nunca vi a Cat Power tão solta e sorridente como nesse vídeo.

E para encerrar, uma do Pink Floyd, Breathe. O Flaming Lips regravou todo o Dark Side of The Moon e ficou bem legal. Mas como tinha que escolher uma para entrar aqui….

abril 15, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

Eastbound and Down – 1a temporada

You're fucking out

You're Fucking Out!

Depois de um post do Gustavo sobre gostosas, um sobre esse cara bonito aí de cima. Não precisam agradecer, garotas.

Para quem não sabe, esse cara aí é o Kenny Powers (Danny McBride), protagonista da série Eastbound and Down da HBO. Ele já foi foda. Campeão da Major League Baseball, adorado pelos fãs, um astro a caminho de se tornar uma lenda. Seu arremesso de 100 milhas por hora, praticamente imbatível e nas palavras do próprio Powers, “Everyone wanted a piece of my shit”.

Então as coisas mudaram. O abuso de drogas, gasto sem controle de dinheiro e a vida desregrada se refletem no jogo (o arremesso agora só chega a pouco mais de 60 milhas por hora). O antes poderoso Powers agora se encontra vivendo na casa do irmão junto com a cunhada e os três sobrinhos, a ex-namorada é noiva do diretor da escola em que ele dá ‘aulas’ de educação física e sem boas perspectivas.

O divertido é ver Powers tentando se reestabelecer no mundo do baseball e reorganizar a vida. Com um problema: Powers tem a arrogância de um campeão, mas só. Ele está cego com a ideia de que ainda tem a mesma força e potência de antes enquanto as pessoas ao seu redor, com raras exceções, não enxergam nada mais do que um fracassado. Então ele vai tentar de tudo: ser garoto propaganda, vender coisas do seu tempo de jogador de baseball (pelo preço que ele acha que as pessoas deveriam pagar) e, quando as coisas estiverem difíceis demais, andar de jet ski para relaxar (e jogar gente na água).

A série também não tem medo de caminhar por estradas um pouco menos cômicas. Algumas vezes a realidade vem à tona e Powers sofre, quebra coisas, fica deprimido como qualquer um quando tudo parece desmoronar ao redor. Ele ainda ouve as fitas K7 de auto ajuda narradas por ele mesmo (You’re fucking out, I’m fucking in) que soam mais odes ao Kenny Powers bem sucedido do que algo com a intenção de oferecer conforto e ajuda aos outros.

E tem nudez gratuita se tudo que eu disse antes não te convenceu.

São apenas seis episódios na primeira temporada o que dá quase três horas no total então tempo nem é desculpa. A segunda foi aprovada no ano passado, mas ainda não foi ao ar e até onde sei nem gravada foi. Só nos resta esperar para a segunda parte da história do mito Kenny Powers.

abril 14, 2010 Posted by | Uncategorized | , | Deixe um comentário

Como montar uma BOA ‘free pass list’ – versão masculina

O mais popular post do blog da Renata é o Como montar uma BOA ‘free pass list. Então, como a gente aqui é novo e desesperado por audiência, vamos seguir o exemplo. Essa é pra você que namora, ama a sua garota, mas não quer deixar passar a oportunidade de uma one night stand em Hollywood.

Antes de explicar a nossa estratégia, vai aí a minha lista:

1 – Zooey Deschannel (L)
2 – Olivia Wilde
3 – Cobie Smulders
4 – Rose Elinor Dougall
5 – Jennifer Morrison

1) Se contente com pouco. Sério. Do que adianta colocar a Angelina Jolie? Ela já dorme com o Brad Pitt. E vamos ser honestos, não tem como a gente competir com ele. Então, vá para escalões secundários, procure aquela celebridade coadjuvante em programas ou no início de carreira. A chance de você realmente encontrá-las é bem maior do que trombar com a Angelina numa esquina da vida.

2) Seja realista. Nunca vá atrás de protagonistas. Geralmente essas têm egos lá em cima. A coadjuvante ou cantora de um grupo precisa dividir a atenção com seus companheiros, ficando muitas vezes em segundo plano. Por exemplo, no caso da Cobie Smulders. Sim, ela tem um papel importante em “How I Met Your Mother”, mas precisa disputar espaço com outras 5 pessoas, incluindo o gênio Neil Patrick Harris. Resultado: atriz ofuscada.

3) Faça uma busca em sites de celebridades. Quanto menos famosa, melhor. A razão: tem menos interesse em aparecer na mídia, logo, menos casos. A competição vai ser bem menor. E a chance dela ser simpática é maior também.

4) Mostre confiança. Nada de ficar dando uma de tiete da moça. Aí ela não vai ver o potencial em você. Seja confiante e até finja que você nem sabe que ela é famosa. Ela vai achar que você se interessou “pela personalidade dela”.

Agora, pra isso ficar interessante, fotos do top 5! AEEEEEEEEE!

Zooey (não é foto, mas foda-se. O blog é meu)

Olivia Wilde (sim, eu tenho fascinações pelas assistentes de Gregory House)

abril 13, 2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

Boas Webcomics são tão difíceis de se achar hoje em dia…

A chegada da internet não serviu só para podermos colocar nossas vidas no Orkut/Facebook, conversarmos com estranhos em chats com webcam ou publicar aquele vídeo da ex-namorada. Também serviu para que artistas ficassem acessíveis. No caso dos cartunistas, a coisa assumiu tal proporção que, depois do pornô, as webcomics e similares são a maior ocorrência na internet.

Abaixo estão meus favoritos:

Dois girassóis mal desenhados. Mas o louco Malvadão e o ingênuo Malvadinho, criações de André Dahmer, não vão encher sua vida de moral e passam longe do politicamente correto. Durante muito tempo os dois eram os responsáveis por externar opiniões ácidas sobre o amor, drogas, traição, ódio, morte e qualquer outra coisa que Dahmer tivesse em mente. Eventualmente, o autor ampliou a gama de personagens e temas, como Ulisses que não consegue suportar ter sido abandonado por Rebeca e o ditador sem escrúpulos Emir Saad que não impõe limites aos seus desejos mais sanguinários. Atualmente a  tirinha tem se concentrado em criticar nossa sociedade com a série Tirinhas dos Anos 10 e Os Ricos se Divertem.

Provas nos links a seguir: cocaína, mundo sem pobres, zoreanos

John Campbell é sarcasmo sem coração. Pictures for Sad Children contou durante o início com a presença do fantasma Paul e do seu substituto no trabalho Gary como personagens principais, mas Campbell preferiu se livrar dos personagens e criar histórias mais centradas nas situações sem personagens muito definidos. O desenho é extremamente simples e as tramas as mais estranhas possíveis (uma mulher descobre que o motivo de não conseguir fazer nada certo é porque o prazo de validade dela venceu). No fim das contas, talvez o que Paul disse a Gary seja a ‘moral’ da webcomic: não invejo a vida dos outros porque a vida de todo mundo é terrível.

Provas: patos e cisnes, data de validade, vida terrível

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Tolerância zero. Allan Sieber tem um humor sem frescura. Mais cedo ou mais tarde você vai ser alvo dele (vez ou outra acontece comigo). Bandas teens, bandas indies, público de cinema, comediantes, religião, relações humanas, redes sociais e nem bicicletas escapam do (mau) humor de SIeber. Os melhores momentos estão nas séries dos Mommy Boys, uma banda de garotos que não tem nada de rock and roll, nas tiras do bom e velho Deus punitivo e nas conversas que Sieber tem com ele mesmo em Preto no Branco. Ele também faz matérias para revistas e recentemente lançou o livro É Tudo Mais ou Menos Verdade. Sem nenhum compromisso com a objetividade, diga-se de passagem.

Provas: só clica na imagem acima

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Laerte Manual do Minotauro

Piratas do Tietê, Hugo, Overman são alguns dos personagens que deram a Laerte a condição de um dos melhores artistas de quadrinhos do país. Ele podia ter escolhido o caminho fácil, mas já há alguns anos suas tiras passaram a ter conteúdo mais surreal, o que causou estranheza e fez com que alguns jornais parassem de publicá-lo. Sinto pena deles porque Laerte é provavelmente o que tem de mais criativo nos quadrinhos brasileiros. Do mundo, talvez, por que não? O Manual do Minotauro começou como uma série em 27 tiras sobre a caça do Minotauro. Ou será sobre o Minotauro se descobrindo? Bem, a interpretação fica por sua conta. Outras boas séries são Minha Guerra Mundial e Homo Praticus. Mas não fique surpreso se você passar mais de uma hora explorando o blog. Laerte é viciante.

Provas: Manual do Minotauro, Homo Praticus, Minha Guerra Mundial

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Achewood

A graça de Achewood está nos personagens e em como eles reagem às situações. Por isso que é difícil para alguém gostar dessa webcomic de primeira. É preciso “se educar”, procurar nas tiras antigas outras histórias para que se possa criar um vínculo com os personagens, conhecê-los. Achewood começou como uma série de quadrinhos simples, três ou quatro quadros por página, quase sempre sem uma definição. Os personagens eram baseados nos animais de pelúcia da mulher do autor, Chris Onstad. Depois com o acréscimo de outros personagens, o foco mudou para os gatos Ray Smuckles, um gato sortudo e que adora festas, e Roast Beef Kazenkakis, um gato depressivo e viciado em computadores. Com o tempo as histórias ficaram mais longas, com mais quadros e logo com mais espaço para o desenvolvimento do caráter dos personagens.

Provas: The Party, Ray Goes to Hell, The Great Outdoor Fight

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Ricardo Tokumoto usa cultura pop, filosofia, arte, o dia-a-dia como inspiração. O que mais me impressiona é que as tiras não seguem um estilo único, algo que me lembra a PBF Comics, embora o tipo de humor não seja (sempre) o mesmo. Tokumoto usa o estilo que ele julga se adequar melhor ao tema do quadrinho. Eu o descobri recentemente, mas o blog atual que existe desde 2007. Mas já é um dos meus favoritos.

Provas: Plato, Wonderful WorldGotta Catch’ Em All

abril 12, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , , , , | Deixe um comentário